Criação

 

O primeiro requisito é um local onde os periquitos possam criar. Pode ser um telheiro, uma garagem, uma cave, uma divisão inutilizada ou mesmo um aviário especialmente construído para o efeito. Será uma boa ideia começar num local onde exista muito espaço, ou pelo menos algum espaço que possibilite alguma expansão, o que será inevitável pois, assim que os periquitos começarem a criar o espaço começará a escassear, a não ser que seja psicologicamente muito forte! Lembre-se de que irá necessitar de gaiolas de stock e voadeiras nas quais possa manter as aves quando elas não estão a criar, e os mais novos enquanto decide com quais vai ficar.


Seria também uma boa ideia disponibilizar para as aves uma luz nocturna. As aves tendem
para entrar em pânico quando são deixadas no escuro e existe um barulho ou algum
flash de luz que elas não conhecem. Quando as luzes principais se apagam, deve
deixar-se uma luz de baixa voltagem acesa que proporcione luz suficiente às aves
sem as manter acordadas. Isto também ajuda a evitar a possibilidade de uma fêmea
deixar o ninho durante a noite e depois não conseguir encontrar a entrada para o
seu ninho, deixando os ovos arrefecer ou as crias morrer de frio.

Tem também de decidir se vai criar por prazer, por novas cores ou para
exposições. Isto irá influenciar bastante o tipo de aves a comprar e o preço
a pagar.

A maioria das pessoas começa pelo gosto das variedades de cores que pode
encontrar nos periquitos. Neste caso pode adquirir as suas aves em qualquer
lugar onde as possa encontrar à venda mas certifique-se de que são
saudáveis. Se pretende entrar em exposições e tem uma natureza competitiva,
então compre os melhores periquitos que puder a criadores com alguma reputação.

Uma sugestão para quem quer comprar pássaros de qualidade para exposições
é, levar a nossa melhor ave numa gaiola e perguntar ao criador se a
podemos comparar com aquela que queremos comprar. O mais provável é o
criador não querer que a nossa ave entre no seu aviário, devido ao risco de
infecções, mas provavelmente não se oporá a que compare as duas aves
fora do aviário. É muito fácil deixar-se levar num aviário de outra
pessoa e, quando chegamos a casa, descobrimos que já temos aves
melhores que aquela que acabamos de comprar. Se procurar por um
parceiro(a) para uma ave em particular, então leve-a consigo, de forma
a poder verificar se a sua escolha se adequa para essa ave em particular.

Seja qual for o motivo pelo qual pretende começar a criar periquitos, três casais serão um bom começo. Dar-lhe-ão alguma experiência de criação sem que tenha de ter muito trabalho. Terá tempo para conhecer as suas aves, o seu comportamento e as suas necessidades.

Certifique-se de que as aves estão em condições para criar antes de as encasalar. Isto significa que elas deverão ser activas, as fêmeas deverão cantar e roer tudo o que vêem e os machos deverão chamar-se e alimentar-se uns aos outros. Normalmente, a cera dos machos torna-se num azul mais brilhante enquanto que a das fêmeas fica ligeiramente mais castanha. Isto nem sempre se verifica pois, em algumas fêmeas a cera parece nunca variar mas mesmo assim criam bem.

Será também uma boa ideia separar os machos das fêmeas algumas semanas antes do momento em que deseja que comecem a criar. Durante este tempo deve preparar as gaiolas nas quais os casais irão criar. As gaiolas completamente em metal são mais fáceis de limpar e ajudam a evitar os parasitas, não lhes dando nenhum local para se alojarem. Outra vantagem é que a fertilidade aumenta uma vez
que os periquitos são aves de bando e que criam melhor em
comunidade, assim, sendo as gaiolas todas em metal, as aves podem
ver-se e têm uma ideia de colónia. Outra possibilidade é a criação
em colónia. Se esta for a sua decisão, deverá então colocar no
aviário pelo menos dois ninhos por cada fêmea de forma a evitar
as lutas quando elas decidem todas querer o mesmo ninho!

 

 

Se preferir também pode utilizar material de madeira ou de plástico,

de forma a facilitar a limpeza, com frentes de metal. Irá necessitar

também de ninhos ou no chão da gaiola ou suspenso no exterior da

mesma. Normalmente os ninhos suspensos são colocados numa das

portas da gaiola. Pode também utilizar uma pequena camada de

serradura no fundo do ninho (mas atenção, utilizar apenas serradura

de pinho pois outras podem ser tóxicas, nomeadamente de madeiras

exóticas) que ajuda a absorver as fezes das aves contribuindo para

uma maior higiene e previne também que os ovos rolem no fundo do

ninho sempre que a fêmea entra e sai.

 

 

 

De forma a prevenir infecções de parasitas, uma vez nascidas as

crias deve limpar os ninhos regularmente (uma vez por semana por

exemplo) e pulverizá-los com um insecticida próprio para aves

(durante esta operação deve retirar as crias do ninho).

 

 

 

Se pretender assegurar que todos os ovos serão fertilizados

poderá ser uma boa ideia aparar as penas

(ou mesmo arrancá-las) quer do macho quer da fêmea na

zona do ventre antes de os juntar na gaiola de criação e poderá

fazê-lo também entre cada postura. No caso de estar a contar

com alguma destas aves para alguma das primeiras exposições

da época, deverá considerar bem este facto pelo que as pelas

levarão bastante tempo a crescer novamente. Após formar o

casal poderá esperar 21 dias para ver se produzem ovos. Se neste

espaço de tempo não puserem nenhum ovo poderá separar o casal

e tentar parceiros diferentes ou colocar os dois nas gaiolas de vôo

durante algumas semanas antes de voltar a tentar juntá-los novamente.

Na maior parte dos casos as fêmeas começam a pôr após 10-12 dias.

A fêmea põe um ovo de dois em dois dias até finalizar a postura, que

pode variar entre 3 e 9 ovos. Os ovos levam 18 dias a eclodir e, se

todos foram fertilizados, as crias eclodirão de 2 em 2 dias. É possível

também em alguns casos que o primeiro ovo demore mais que 18 dias

a eclodir.

 

 

 

As aves irão necessitar de nutrientes extra durante o p

eríodo em que alimentam as crias pelo que, deverá colocar

à disposição das aves papa de criação além de também

poder adicionar um tónico vitamínico na água da bebida.